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ቅዳሜ 4 ኤፕሪል 2026

300 anos de Fortaleza

A cidade de Fortaleza chega a trezentos anos. A proposta aqui é mostrar o que existia na urbe que compunha essa Fortaleza de então. No ano de sua fundação em 1726 e nas décadas que se seguiram encontrávamos uma vila paupérrima. 

Ao contrário de cidades e vilas como Salvador, Rio de Janeiro e o Recife que tiveram suas paisagens registradas por viajantes estrangeiros em desenhos e pinturas das mais diferentes técnicas artísticas, Fortaleza foi pouco retratada pictoricamente no período que vai de sua fundação até meados do século XIX.

O que há de mais ilustrativo desse período é a planta rascunhada em 1726 pelo Capitão-mor Manuel Francês. Através do cruzamento de fontes documentais pertinente consegue-se estabelecer uma ideia da insipiente urbe que se formava.


A construção de maior vulto era o forte, herdada dos flamengos em 1654 era o forte de Schoonenborch. Rebatizada de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, sofreu diversos reparos em sua precária estrutura ao longo dos anos. Foi reconstruída na administração de Antônio José Vitorino Borges da Fonseca, de 1765 a 1781. Na mesma época se fez o quartel anexo, as suas muralhas e os baluartes. 

O forte de Nossa Senhora continuou a sua existência precária, sofrendo remendos, até que em 1816 se transformou, de fato, numa fortaleza, graças a vontade do Governador Manuel Inácio de Sampaio, o futuro Visconde de Lançada, e ao projeto do engenheiro Silva Paulet. (Geografia Estética de Fortaleza – Raimundo Girão p. 61)

Da arquitetura religiosa teve a primeira capela dedicada à Nossa Senhora da Assunção. Ficava dentro do forte e remontava ao século XVII, demolido que foi, quando na gestão do Presidente da então Província do Ceará Dr. João Silveira de Sousa, que determina em 1857, que se destrua a antiga ermida de invocação a Nossa Senhora de Assunção, que fora mandada construir por ordem do Governador General de Pernambuco Francisco Barreto de Meneses ao Capitão Mor do Ceará Álvaro de Azevedo Barreto no ano de 1654. A princípio seria construída uma nova igreja, o que não passou de pouco mais dos alicerces, seguindo um período de abandono. No ano de 1863, na gestão do Presidente Dr. José Bento da Cunha de Figueiredo Junior, é destinada uma verba do governo Geral para a conclusão das obras da capela, que chegam a ponto de receber a coberta. Segue-se novo período de abandono, até que no ano de 1881, na presidência do Senador Pedro Leão Veloso, o templo inconcluso por falta de verbas vem a ser definitivamente demolido (Girão, 1955, p. 93-95).

Imagem original de Nossa Senhora da Assunção segundo informação de Gustavo Barroso (1962), que pertenceu a primitiva capela de mesmo nome, que existiu dentro da Fortaleza.

Da pequena ermida de São José, nada expressivo ficou registrado. A data exata da construção da primitiva igrejinha é imprecisa, porém na planta rascunhada pelo Capitão-mor Manuel Francês de 1726 já registrava "No ângulo superior esquerdo da Praça, em frente à Câmara, um pouco ao lado, a capela ou igreja de São José de Ribamar, com a nota: 'reedificou o Capm. Mor'" (Girão, 1962, p. 86). Passou a igrejinha de São José décadas até ser oficializada a instituição da freguesia de Fortaleza, que ocorreu em 1761, sob a invocação de Nossa Senhora da Assunção e São José de Ribamar.

Detalhe do desenho da primitiva ermida de São José,
que consta na planta do Capitão mor Manuel Francês de 1726.

A Igreja do Rosário surge primitivamente de taipa construída por escravos em volta do ano de 1730. Em 1755 foi reerguida em pedra e cal.

Igreja do Rosário nave e capela mor.
Fonte: acervo particular

Na arquitetura cívica consta uma edificação construída entre 1721 e 1727 na Praça do Conselho (depois, Praça da Sé) para receber a câmara, que também serviu de residência para alguns governadores.

Detalhe do desenho da casa de Câmara que consta na planta do Capitão mor Manuel Francês de 1726.

Outra casa que se destacava era a chamada "casa dos governadores", que ficava ao lado do mercado de cereais situada na rua Direita dos Mercadores, hoje, Sena Madureira. Essa casa pertencia a Raimundo Vieira da Costa Perdigão, que a alugava por 40 mil réis por mês. Em 1809 passou a abrigar a câmara dos vereadores.

Esse edifício também abrigou a Junta da Fazenda, sobre ele o Barão de Studart esclarece:
O lugar que primitivamente funcionou a Junta da Fazenda foi por cima do antigo calabouço no prédio que é hoje ocupado pelo 11º Batalhão; daí passou-se para o edifício à Rua Conde d`Eu, hoje Sena Madureira, em que também residiram os Governadores e os membros da Comissão Militar, e cujo atual proprietário é o Sr. João da Silva Vilar. (Studart, 2004, p. 501)
Em fins do século XVIII foi edificado o casarão que serviu de residência para o capitão mor Antônio de Castro Viana, com a morte deste em 1801 foi vendido à câmara municipal, que precisava de sede. Em 1809, passou ao poder dos governadores ficando essa edificação após várias reformas e acréscimos conhecida como Palácio da Luz.

Uma pequena descrição de Fortaleza já do ano de 1810 (Netto, 2014, p. 17) nos dá uma ideia da precariedade das habitações e instituições na capital:

Em 1810, as casas de Fortaleza tinham apenas o pavimento térreo. Havia poucas ruas – todas sem calçamento –, três igrejas, o palácio do governador, a Casa de Câmara e Cadeia, a Alfândega e a Tesouraria. O porto era ruim e eram grandes as dificuldades e os acidentes no momento de embarque e desembarque dos 'vapores'.

Nota-se que Neto equivocou-se ao informar sobre a casa de Câmara e Cadeia. Raimundo Girão (1959) nos informa que no início do século XIX a casa de Câmara estava arruinada e não havia cadeia, "servindo-se as autoridades civis de uma cadeia militar". Esta encontrava-se dentro da fortaleza. 

Apenas na segunda metade do século XIX é que Fortaleza recebe algum aformoseamento com o desenvolvimento e fortalecimento da economia em decorrência da exportação do algodão, e a atuação do arquiteto pernambucano Adolfo Herbster, que chegou ao Ceará em 1855, contratado como engenheiro da província.

Armando Farias

BARROSO, Gustavo. À margem da história do Ceará. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1962.
GIRÃO, Raimundo. Geografia estética de Fortaleza. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1959.
NETTO, Raymundo. Centro: O “coração” malamado. Fortaleza: Secultfor, 2014. 192p. (Coleção Pajeú). Disponível em: https://acervo.fortaleza.ce.gov.br/download-file/documentById?id=228253a1-659e-4354-ab8f-4a7cb8b93f97. Acesso em mar. 2026.

ረቡዕ 21 ኤፕሪል 2021

ANIVERSÁRIO DE FORTALEZA, HOMENAGENS PROSSEGUEM EM ABRIL

No mês do aniversário de Fortaleza o blog Capitania Siará Grande dedica mais um espaço para mostrar a cidade com suas modificações ao longo das décadas. Referência histórica, arquitetônica e sociológica.

Três fotografias de épocas diferentes nos mostram mudança significativa.

A mais antiga está sem data, em uma análise do documento em si podemos atribuir início dos anos de 1910. A imagem dos trechos iniciais da então Rua Formosa (Barão do Rio Branco) foi capturada dos altos do Palacete Guarani que fora inaugurado em 1908. O transporte predominantemente era de tração animal, e vê-se os trilhos dos bondes que se utilizavam desse modal desativado em 1913, quando foram substituídos pelos bondes elétricos.

Antiga Rua Formosa (aprox. 1910), atual Rua Barão do Rio Branco
Rua Formosa (atual Rua Barão do Rio Branco)
Acervo particular

A segunda traz a data de 1931. Temos a Praça do Ferreira ainda com os vestígios da Belle Epoque em seu coreto ornamentado e o quarteirão do prédio da antiga Intendência incorrupto, hoje desaparecido. Esse edifício fora o primeiro de dois pavimentos construído em Fortaleza em 1825, lembrando a antiga crendice popular da época que repetia a censo comum que o solo arenoso de Fortaleza não suportava construções além do pavimento térreo.

Praça do Ferreira
Praça do Ferreira
Acervo particular

A ultima foto é de 1970 nos revela o segundo endereço da fonte dos “cavalinhos”. Como manda a tradição tudo em Fortaleza tem que ser mudado. A fonte que fora comprada na Europa para ornamentar a Praça da Lagoinha (Jardim Comendador Teodorico) foi relocada para o Benfica (foto). Anos depois foi retirada, passou mais de uma década recolhida até ressurgir na Praça Murilo Borges, seu atual endereço. Atualmente necessita de nova restauração.

Fonte dos cavalinhos e Escola de Engenharia UFC
Fonte dos cavalinhos e Escola de Engenharia UFC
Acervo particular

Nada mais se encontra como antes. A dinâmica é uma característica das cidades, porém certas modificações, ou modificações constantes e radicais podem levar uma cidade e seus habitantes a uma perca de memória. A maneira atual de rever espaços vazios ou decadentes nada mais é que a revitalização, ação que vem ocorrendo em vários países e cidades do Brasil evita o apagamento total de um passado que muito interessa a todos os cidadãos.

Armando Farias

ሰኞ 12 ኤፕሪል 2021

ANIVERSÁRIO DE FORTALEZA HOJE

Comemora-se o aniversário de Fortaleza no dia 13 de Abril. Alguns podem indagar-se, por que essa data? 

A Lei Municipal nº 7.535 de 16 de junho de 1994, que institui essa comemoração, baseia-se no conteúdo da Ordem Régia assinada pelo Rei de Portugal D. João V, em 11 de maio de 1725, que estabelecia a criação da Vila do Forte da Assunção, posteriormente, aqui instalada, em 13 de abril de 1726. 

Assim nossos vereadores optaram em associar o aniversário de Fortaleza com a data da criação da Vila. 

É fato que já existia um incipiente aglomerado urbano antes dessa data. Um embrião do que viria a ser a futura cidade apresentava, então, o forte e seu contingente militar, um governante, o capitão-mor, autoridade máxima da capitania àquela época, capela e capelão e, mesmo que pequeno, um núcleo populacional de caráter civil. 
Essa data poderia recuar mais um pouco no tempo, ficando assim Fortaleza mais velha. Há correntes historiográficas que consideram o comandante holandês Matias Beck o “fundador de Fortaleza” quando aqui aportou no ano de 1649 e iniciou a construção de um forte às margens do Pajeú. Outros recuam mais e creditam essa ação ao desbravador Martim Soares Moreno, quando aqui chegando em expedição no início do século XVII, congregou indígenas e ergueu o Forte de São Sebastião às margens do Rio Ceará. 



Debates à parte, ficam as comemorações concentradas na data oficial que é o Dia da Cidade. A sugestão é que os meios de comunicação abram mais espaço para a nossa história, visitando as outras datas, também significativas para todos nós fortalezenses, disseminando um sentimento de pertença do nosso passado e da nossa identidade, afinal, no Ceará, também temos História!

Armando Farias

ሐሙስ 8 ኤፕሪል 2021

ANIVERSÁRIO DE FORTALEZA (2021)

No mês que Fortaleza completa anos, 295 desde a criação da vila, rendermos nossas homenagens a cidade amada. A História cumpre o seu papel ao registrar a data histórica e suas devidas informações documentais.

Caminhado ao lado vem a Arquitetura, diretamente imbricada à História. Através de seus monumentos de pedra e cal esses símbolos de uma sociedade trazem ao cidadão sentimentos de pertencimento, aconchego e orgulho.

Fechando o círculo para as comemorações a Sociologia nos esclarece com seus estudos voltados aos costumes de nosso povo, o olhar da população a esses monumentos e a espaços vazios em transformação.

Compreendendo o papel de cada uma dessas ferramentas o cidadão comum poderá coadunar no progresso da cidade, compreensão do conceito de monumento e consequentemente sua conservação.

Através de imagens aéreas não tão distantes no tempo podemos identificar mudanças no aspecto físico da capital, analisar suas consequências se favoráveis ou negativas para em consenso termos um espaço social favorável à coletividade.

Na sequência de fotos exposta do início dos anos de 1960 (acervo particular), notamos muitas diferenças no espaço construído da capital. Pode-se notar que o chamado segundo plano do Passeio Público ainda encontrava-se “abandonado” segundo Gustavo Barroso servindo de campo de futebol. Em 1963 foi cedido pela Prefeitura para o Exército. Lamenta-se a perca da população em desfrutar uma área pública agradável e estrategicamente bem localizada.

Foto aérea de Fortaleza anos 60 - Fortaleza N.S.Assunção

Foto aérea de Fortaleza anos 60 - Fortaleza N.S. Assunção

Também nota-se que a Avenida Leste Oeste ainda não havia sido construída, com sua execução no início dos anos de 1970 houve o desmonte de todo um bairro popular, o Santa Teresinha e parte do Arraial Moura Brasil. As famílias foram transferidas para o Serviluz, hoje enfrentam problemas decorrentes do movimento de areias de faixa de praia invadindo seus domicílios. Constata-se que o local era inapropriado para uso residencial. Também ocorre a triste situação de abandono do antigo farol de Fortaleza, edificação histórica do meado do século XIX em quase ruína, que a exemplo do Farol da Barra em Salvador poderia ser um potencial atrativo turístico.

Foto aérea de Fortaleza anos 60 - orla leste/oeste

Vê-se o complexo que atendia ao antigo “porto” de Fortaleza ainda incorrupto, a Catedral da Sé inconclusa e o antigo conjunto arquitetônico demolido para a construção do novo Mercado Central, entre elas a casa onde nasceu Dom Helder Câmara.

Foto aérea de Fortaleza anos 60 - orla detalhe ponte

Para amar e cuidar a cidade o cidadão tem direito a conhecer sua história. Então a fórmula ideal é poder público X cidadão X iniciativa privada, todos de braços dados em defesa de Fortaleza.

Armando Farias